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Porque é que as elites não gostam de referendos? Porque podem acordar com um Brexit

Segunda-feira, 27.06.16

 

 

E o Brexit continua a ser dramatizado nos canais informativos. Os media fazem o seu papel, uma agência de rating faz o seu papel, a CE faz o seu papel. As elites não gostam de referendos.

Jovens universitários urbanos e de classes privilegiadas estão revoltados com os que votaram Brexit, indiferentes ao seu futuro promissor na UE. Há até uma Petição a correr para comprometer a legitimidade democrática do resultado do referendo. 

As elites do futuro não conseguem pensar para além do seu egoismo. Na realidade, os jovens que poderiam argumentar a falta de solidariedade geracional são os jovens de escolaridade média que não conseguem entrar no mercado de trabalho.

 

Para compreender o resultado que assustou as elites, vamos analisar o perfil dos seus votantes. Apoio-me no Guardian: menor rendimento médio anual; classes sociais mais desfavorecidas; nível escolar mais baixo.

A faixa etária foi muito empolada, jovens vs reformados. No voto dos jovens verifica-se uma diferença entre os licenciados urbanos e os outros. O argumento da comparação da esperança de vida soou-me preocupante quando verbalizado por jovens que não querem perder as suas vantagens, esquecendo outros jovens que são mantidos à margem do mercado de trabalho, entenda-se, trabalho digno desse nome. 

 

Que elites se estão a formar na cultura europeia que não conseguem alargar a sua perspectiva a todos os seus conterrâneos? Já para não falar de todos os cidadãos europeus?

A cultura da UE não me parece, pois, uma cultura de futuro e com futuro. Pelo menos para os cidadãos europeus que têm sido esquecidos e maltratados. A cultura da colaboração inicial perdeu-se no caminho e o papel construtivo das elites também. 

 

Aqui analisei o Brexit na perspectiva cultural, de mudança profunda, de uma tendência de reequilíbrio local-global, indivíduos-instituições. A nível político e económico.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:16

Ganhar é um bónus, não é uma obrigação

Sábado, 18.06.16

 

Sempre que a nossa selecção se prepara para um Euro ou um Mundial, repete-se o filme: somos os melhores... desta é que vai ser... os portugueses estão todos com a selecção... como se os rapazes fossem os responsáveis pela nossa auto-estima. Coloca-se nos seus ombros uma responsabilidade que não é sua, a sua única responsabiliade é jogar o melhor possível.

Multiplicam-se conferências de imprensa, os comentários desportivos, as críticas ao seleccionador, tudo factores de distracção do essencial: os jogadores são os principais interessados em jogar bem, deixem-nos jogar em paz.

No tempo do circo romano, dos gladiadores, era obrigatório ganhar porque disso dependia a vida. Mas no desporto o importante é o jogo em si. O jogo devia valer por si. Dessa forma ganhar é um bónus, uma alegria.

Demasiada pressão dá sempre mau resultado. Isso já era previsível. A única forma de atenuar o clima de ansiedade e frustração com os dois empates é evitar as críticas, que são sempre fáceis e altamente ansiógenas, além de inúteis.

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:35

Amizade

Sexta-feira, 10.06.16

 

 

Passamos a maior parte da nossa vida

todo um percurso

à procura de um lugar que sabemos existir

porque já nos aproximámos o suficiente 

para saber que existe

 

Dizem-nos que isso só nos livros ou nos filmes

e deixamos de falar nisso

Sabemos bem que depois de ver essa claridade

e sentir o seu calor

nada nos poderá confortar

não é essa a nossa natureza

 

Um dia o tempo pára

e cruza as suas linhas e voltas por um segundo

Somos de novo quem fomos um dia

a criança que sabia e que se projectava no futuro

 

Um segundo é quanto basta

para misturar as linhas e voltas do tempo

O amigo imaginário está ali

carne e osso

voz própria

ideias definidas

 

Somos dois agora

e é como se o mundo inteiro estivesse do nosso lado

e não do outro lado

 

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:12

Double bind é o que está a ser aplicado na Grécia

Quarta-feira, 08.06.16

 

Double bind foi o que primeiro me ocorreu a propósito do filme Baby the rain must fall.

Double bind, uma forma de colocar alguém sem uma alternativa viável. Exactamente o que está a ser aplicado na Grécia.


Aqui também estivemos subjugados ao double bind da austeridade, da ausência de alternativa. A circunstância feliz dos partidos de esquerda ultrapassarem as suas divergências e encontrarem objectivos comuns é que abriu essa prisão.

Espero que também surja uma alternativa para a Grécia, entalada no double bind europeu e na vertigem de auroras douradas.

 

Um povo que aturou placidamente a humilhação da finança. Um povo que escolheu a Europa e o euro mas numa verdadeira cultura europeia. Um povo que recebeu milhares e milhares de refugiados apesar da sua situação precária.

 

 

 

 

 

 

Post publicado n' A Vida na Terra.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 21:22

Ser criança hoje

Quarta-feira, 01.06.16

 

 

Hoje a pergunta do dia do Sapo:

"A melhor coisa de ser criança é:

- não ter de trabalhar;

- ser o centro das atenções;

- ainda ter a vida toda pela frente; 

- não ter as preocupações e responsabilidades de um adulto;

- apesar de tudo prefiro ser adulto;

- poder fazer birras."

A minha opção é claramente "apesar de tudo, prefiro ser adulto". Comigo estão apenas 4% de outros adultos. Pelo mens, até agora. 

 

A infância é, sem dúvida, a melhor fase das nossas vidas, porque é determinante. Tudo é vivido mais intensamente, os sons são mais fortes, as cores são mais brilhantes, o riso é genuíno, assim como o sorriso, a alegria, mas também a tristeza, a dor, a impaciência, a frustração.

É preciso ter sorte para ser uma criança razoavelmente feliz, não ter nascido num país em guerra, ou afectado pela austeridade financeira, ou num ambiente conflituoso, ou numa comunidade hostil. E mesmo com sorte, todos os cuidados não são demais. Sem se cair na superprotecção, estar atento e vigilante. 

Exercer a autoridade não é moldar uma criança a um formato social ou aos seus próprios objectivos. Quanto melhor tiverem resolvido esse conflito essencial com os próprios pais, melhores pais serão. Como é a vossa criança? É que cada criança é uma unidade complexa a aprender rapidamente a viver no mundo, e todas são diferentes. Mesmo os irmãos são todos diferentes. A forma como se lida com cada um também se deve adaptar a cada um. Pode exercer-se a autoridade de forma firme com um e pode ter de se explicar tudo muito bem a outro até ele compreender.

Aceitar a sua criança com as suas próprias características é respeitá-la, amá-la incondicionalmente, ajudá-la e desafiá-la num ambiente ameno e acolhedor. A sua criança irá ter desafios pela frente, viverá o medo, a angústia, a insegurança, o stress. Saber que tem uma base de apoio em casa é a melhor fonte de energia e de coragem para enfrentar esses desafios.

E é aqui que tudo se complica para uma criança. Está no auge da sua inteligência, da sua capacidade de aprender coisas novas, de criar, de inventar, e está sujeita a situações que a vão condicionar e limitar. Enquanto um adulto se pode defender do bullying ou da humilhação por exemplo, uma criança pode ficar traumatizada para sempre.

 

Será o mundo actual amigo da infância? No geral, não é. Podemos pensar que já foi muito pior no passado, sem dúvida. E não é preciso recuar muito. A revolução industrial já bastaria para a nossa comparação, o trabalho infantil, a fome, as doenças. Mas não é essa a comparação necessária. A comparação honesta e responsável só pode ser com a carta dos direitos da criança

E aqui, caros Viajantes, chegamos à conclusão que, apesar dos progressos sociais, da saúde, da educação, as nossas crianças não estão devidamente protegidas. O exemplo dos refugiados é gritante. Se não fossem os italianos e os gregos, como teria sido a sobrevivência de tantas famílias a fugir da guerra? Assim como a austeridade recente, ao menor desequilíbrio financeiro, e debaixo de governos-troika como o anterior, as famílias viram-se desapossadas do seu rendimento e da sua vida organizada, quantas das suas casas, e muitas tiveram de emigrar.

Relatórios revelam que as crianças e os velhos são os mais vulneráveis em situação de crise económica. Precisamente os grupos que deveriam ser mais protegidos. É por isso que não podemos deixar de desejar que lideranças culturais como o Papa Francisco sejam ouvidas. 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 15:17








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